O amor acaba.
Era o que Gabe havia aprendido com sua primeira experiência amorosa.
Mas bem ali, soterrado pelos seus parceiros de time, ele duvidava muito que o amor que sentiu por Rosemary tivesse acabado.
Talvez o amor não acabasse, afinal. Talvez ele só desse um tempo pra que o indivíduo possuído por esse sentimento conseguisse seguir em frente. Talvez o amor seja mais inteligente do que os homens. Talvez ele que mande em tudo e não ao contrário.
Naquele momento, por mais que tivesse perdido Rosemary de vista, Gabe teve certeza de que o amor era cínico.
[…]
- Eu ficava olhando pra ela como um idiota.
- Um idiota apaixonado. - Ivy salientou. - E você deixou isso bem claro pra todo seu instagram.
A morena mostrou a foto que Gabe havia tirado de Rosemary em seu feed e ele sorriu ao mesmo tempo em que se sentiu infantil e desesperado.
- Eu só tava olhando pra ela. E ela tava olhando para o mar… - Ele pareceu se lembrar perfeitamente do momento. - E quando vi já tinha tirado a foto.
[…]
— Capítulo 5: O passado
“Não é como se você não soubesse disto, eu disse que amava você e juro que ainda amo”
Eu não dormi bem. Fiquei me remexendo na cama até acordar e não conseguir mais pregar os olhos. O relógio marcava 3 horas da manhã, exatamente. Minha cabeça doía. Meu rosto latejava. As lembranças de tudo que tinha acontecido me metralharam no segundo em que o sono me abandonou. Meu corpo inteiro estava baqueado. Eu precisava de um analgésico.
Levantei da cama e assim que pisei na sala me deparei com a cena mais esquisita de toda minha vida. Meu irmão estava sentado no sofá, dormindo tranquilamente. Só que em seu colo estava Courteney. Ela estava toda encolhida, embolotada, parecendo encontrar proteção nos braços de Ryan que envolviam sua cintura.
[…]
Gabe agora colocava uma bermuda e uma camiseta que costumava ser branca. Blake encarou a peça de roupa e seu rosto se contorceu em uma expressão de nojo. Como podia ser amiga desse ser humano?
- Em algum lugar desse país sua mãe está muito decepcionada. - Ela alegou. - Qual a dificuldade em lavar roupas?
- Eu tenho preguiça. - Ele respondeu simplesmente. - E a senhora minha mãe está decepcionada em Manhattan. - O comentário fez com que Blake soltasse uma risadinha; foi o suficiente para que Gabe sorrisse e se aproximasse, sentando-se ao lado dela na cama. - E então? O que houve com meu novo colega de quarto?
- Como meus planos A, B e C falharam eu tinha um D. - Sua resposta fez com que o sorriso de Gabe alargasse no rosto. - Eu o recepcionei por você.
- Meu Deus. - O rapaz jogou os braços em volta da amiga, a espremendo em um abraço desajeitado e dando vários beijos em sua bochecha. - O que eu faria sem você, Ivy?
- Sinceramente não sei. - Ela disse controlando a risada e se libertando do abraço. - Talvez já estivesse morto.
[…]
— ABC do Amor
Ambientes caóticos raramente atraiam Rosemary, mas ela se viu seguindo Harry pela Universidade Harrison enquanto ele lhe mostrava o local. O rapaz a acompanhou até a secretaria, onde ela efetuou, de fato, a transferência e pegou seus horários.- Teatro, dança e mídia. – O japonês espichou os olhos para um dos papéis que Rosemary segurava, vendo em qual curso ela estava inscrita. – Então você é cinéfila. Mistério resolvido.
Toda vez que Harry Li Wun incitava uma conversa, as palmas da garota suavam e ela tinha de controlar o tremor do próprio corpo. Enquanto ele falava e apontava os principais locais dentro da faculdade estava tudo tranquilo. Rosemary só tinha o trabalho de prestar atenção nos detalhes – algo que ela era muito boa, diga-se de passagem – e esboçar um sorrisinho de vez em quando só para mostrar que o acompanhava.
O sonho não o atormentava há tempos. Era, na verdade, uma recordação; uma das poucas de sua infância que não tinha buracos ou peças faltando. Aquela memória vinha extremamente esplendorosa, como se tivesse acontecido no dia anterior. Há uma semana Gabe Burton tinha o mesmo sonho. Um sonho que no auge de sua pré-adolenscência o perseguia como pesadelo. Sua declaração infantil a Rosemary Telesco.A cena se repassava repetidamente em sua mente. O “eu te amo”, o alívio que sentiu quando disse, a falta de ar que lhe acometeu quando soube que não era recíproco, o vestido rosa mais lindo que já tinha visto, o sorriso sem graça, a dança, o batuque acelerado dentro do peito da menina.
Todos os detalhes vívidos e gloriosos intrínsecos na mente de Gabe Burton para todo sempre.
Acabei fazendo um tumblr pra história que tava postando somente no Wattpad.
(já tem o prólogo e mais 2 capítulos disponíveis)
PRÓLOGO
- Rosemary. Eu te amo.
Gabe encarava a garota com sinceridade, cansado de sufocar os próprios sentimentos. Era a primeira vez que se falavam depois da briga por telefone. E ela não poderia simplesmente ir para o acampamento antes que tivesse todas as cartas na mesa. Ela poderia mudar de ideia, certo?
- Você o quê? - Rosemary perguntou da forma menos rude que conseguiu.
A declaração a acertou em cheio, deixando um formigamento esquisito se espalhar por todo corpo.
- Eu amo. - O menino afirmou mais uma vez. - Desculpe, mas eu te amo mais do que qualquer outra pessoa possa amar. - Gabe se orgulhava da própria atitude. - Amo você, amo você, amo você.
O menino havia tirado um peso de seu coração ao deixar todas aquelas palavras finalmente saírem de sua boca. Ele encarava a garota em expectativa. Esperando, esperando e esperando. Uma reação, uma resposta, um olhar, um beijo… Mas tudo que conseguiu foi silêncio. O coração que há pouco se enchia de alívio, pareceu se comprimir, ficando do tamanho de uma ervilha.
- Você acha… - Gabe não aguentava as batidas violentas dentro do peito. - Você acha que também poderia querer me amar?
O menino de 10 anos não soube desvendar o olhar de Rosemary. A menina estava tensa, sem saber como lidar com aquela situação. Gabe Burton era seu melhor amigo e ela o amava.
- Eu não sei o que pensar, Gabe. - Assim como ele, a garota também foi honesta. - Tenho apenas 11 anos. - Naquele instante, o menino sentiu o coração falhar. - Não acho que estou preparada pra me apaixonar.
O modo gentil com que Rosemary respondia a declaração era agridoce aos ouvidos de Gabe. Todo aquele cuidado em não magoá-lo o fazia deixar uma chama de esperança acesa dentro do peito.
- Eu também não tô pronto e mesmo assim estou! - O menino afirmou com ansiedade.
Mas não era tão fácil. O amor nunca é fácil.
- Talvez eu esteja errada. - Ela vasculhou as próprias memórias, resgatando uma de suas conversas com o amigo. - As garotas não amadurecem antes.
- Amadurecem, sim. Você sabe que sim. - Gabe respondeu agoniado. - Você até disse isso no Central Park. Ao menos amadurecemos por igual.
Por mais que já soubesse que seus sentimentos não eram correspondidos, ele não conseguia simplesmente parar de falar, parar de tentar.
- Eu não sei mais o que é maturidade. - Rosemary estava com a cabeça toda confusa. Era como se tudo dentro dela estivesse do avesso. - Mas estou feliz que tenha vindo.
O casamento que a obrigava usar um vestido de dama de honras rosa estava um verdadeiro tédio até a chegada de seu melhor amigo. Ela queria uma companhia. Apesar da declaração, do beijo roubado e da briga, Rosemary Telesco estava agradecida por ter Gabe Burton com suas roupas desleixadas bem em sua frente. E ele sabia.
O menino esboçou um sorriso e ela soube que ele havia entendido.
- Você quer dançar? - Rosemary o convidou, olhando para a pista.
- Dançar? - Gabe ainda sentia o coração acelerado, mas sabia que não tinha mais o que fazer. - Claro. Por que não?
Ao som de At Last de Etta James, ele a seguiu para a pista e colocou as mãos em sua cintura. Olhou para cima, encarando a garota mais alta que ele, meio constrangido, mas ao mesmo tempo satisfeito. Sorriu e apoiou a cabeça no ombro da amada.
Enquanto dividiam aquele abraço, ambos sabiam a verdade. Rosemary Telesco iria para o acampamento e, por fim, para uma escola particular. Os caminhos não se cruzariam.
O amor é um negócio horroroso e terrível, praticado por tolos. Vai partir seu coração e te deixar na pior. E o que sobra no final? Nada além de algumas incríveis lembranças que são impossíveis de esquecer.
A verdade é que haverá outras garotas para Gabe Burton. Pelo menos era o que esperava. Mas ele nunca mais teria um primeiro amor.
Seu primeiro amor sempre seria Rosemary Telesco.
Ela não tinha nenhuma foto sorrindo.
Não de verdade.
— ABC do Amor